O projeto Multilingismo no Mundo Digital propõe uma reflexão atualizada sobre a produção de
conteúdo na língua local dos países lusófonos e a integração das minorias
linguísticas, através do registo, circulação e interacção de suas príncipais
discursivas no ambiente digital. Nossa hipótese de trabalho que o investimento nas discussões sobre
o multilingismo em países de língua portuguesa pode facultar novas maneiras de compreender as minorias
linguísticas em países lusófonos, respeitando as peculiaridades de cada povo no que diz respeito
ao tipo de discurso que seja mais indicado para cada um, e não simplesmente impondo um modelo comum posto como norma.
Além disso, visa-se criar um grupo de educação superior, apto a abordar o multilinguismo nos espaços
de língua portuguesa e, portanto, apto a produzir escuta para estas diferentes comunidades, propiciando um
novo espaço para a produção e divulgação linguístico-cultural e tecnológica
onde o português configura-se como língua preponderante de interacção. A utilização e a
repercussão da linguagem (discursos) podem favorecer ou prejudicar a igualdade e a liberdade, propiciando uma melhor ou pior
sociabilidade.
Segundo estimativas da Unesco, as línguas que não se estabelecerem fortemente no espaço
digital, correm o risco de desaparecimento em duas ou três gerações. Uma criança que
não terá acesso ao espaço digital em sua língua materna, deverá desenvolver o
bilingismo, e assim um idioma que não apresenta recursos para informações e pesquisa no espaço
digital, deverá gradualmente ser deixado de lado nesta época de automatizaçõo de dados. Dentro deste
quadro, depois de ter realizado um colóquio de três dias sobre Tecnologias de Linguagem
(cf.
http://portal.unesco.org ),
na sede da Unesco, a pesquisadora foi convidada a produzir junto com esta instituição uma proposta para a língua
portuguesa no espaço digital, aprovada como a primeira Cátedra Unesco que trata deste tema: o multilinguísmo no espaço digital.
A Universidade de Campinas vem desenvolvendo há aproximadamente oito anos modos de trabalhar com a tecnologia digital
e o conhecimento linguístico de forma refletida. Trata-se de um esforço de reflexão do funcionamento material da
língua no espaço digital, e dos efeitos das ferramentas eletrónicas sobre o funcionamento da língua, uma vez
que são sistemas distintos, que cada vez mais se afetam mutuamente. Nesta linha de investigação própria ao
Laboratório de Estudos Urbanos e ao Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade, em um campo novo de reflexão que chamamos
"tecnologias de linguagem" a Profa. Claudia Wanderley esteve em pós-doutorado na França entre 2005 e 2006, e trabalhou junto
com a Unesco sobre uma questão que afetará aos países que tém a língua portuguesa como língua oficial
em duas ou três gerações: a representatividade da língua portuguesa no espaço digital (e a representatividade
da tradição de conhecimento produzido em língua portuguesa).